Confusão em presídio após morte de traficante acaba em fuga na BA

Confusão em presídio após morte de traficante acaba em fuga de presos

Leonildo, Wagner e Clemer fugiram durante confusão (Divulgação)
Motim começou após execução de Jalperaz e de sua família

Três detentos do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, no Extremo Sul da Bahia, estão sendo procurados pela Polícia Militar, após terem fugido da unidade prisional em meio a uma confusão por conta do assassinato do traficante Jalperaz do Espírito Santo Rocha, 43 anos, na noite de terça-feira (16). A fuga ocorreu no final da tarde desta quarta-feira (17) e as circunstâncias sobre como elas ocorreram ainda não foram esclarecidas pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), que até o momento da publicação dessa reportagem não se pronunciou. 

Segundo a Polícia Militar, presos ligados ao traficante iniciaram um motim por causa do assassinato de Jalperaz, mas não soube informar se os que fugiram são ligados ao traficante, morto na BR-101 junto com a esposa, o casal de filhos e um genro duas horas depois de sair do presídio. O grupo seguia para o Espírito Santo.

A situação no presídio, que até a segunda-feira (15) tinha 421 presos (a capacidade é para 430), foi controlada cerca de uma hora depois do motim. O CORREIO tentou contato com o diretor adjunto da unidade Maurício Vinícius Barbosa, mas ele não atendeu ao celular – o diretor, major Osíris Moreira Cardoso, está em férias.

Os presos que estão foragidos são Clemer Ferreira da Rocha, preso há um ano por suspeita de tráfico e ainda sem condenação; Wagner Alomba, recluso desde abril de 2013 e que cumpre pena no semiaberto desde abril de 2017, mas estava sem emprego – o crime dele não está especificado no espelho do processo no Tribunal de Justiça da Bahia; e Leonildo de Lima do Carmo, preso desde março de 2015 por suspeita de tráfico e homicídio, foi condenado a regime fechado no mesmo ano e progrediu ao semiaberto ano passado, mas também estava sem emprego. 

Prisão
Preso em 12 de março de 2005, Jalperaz foi condenado a 31 anos e 10 meses de prisão em regime fechado, em 5 de agosto de 2009, por homicídio e ocultação de cadáver. Mas mesmo custodiado no Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, comandava o tráfico na região e passou também, segundo a polícia, a determinar que seus comparsas realizassem assaltos e a buscar apoio com traficantes do Espirito Santo e Minas Gerais.

A região da Costa das Baleias está dentro de uma área que a polícia chama de “tríplice fronteira do tráfico de drogas”, composta por cidades do Extremo Sul baiano e do Norte de Minas Gerais e Espírito Santo. Com novos contatos, Jalperaz conseguiu se fortalecer com o fornecimento de drogas e armas.

Preso, ele mantinha bom comportamento: passava o tempo estudando e trabalhando, o que resultou em ser beneficiado em 2012 com o regime semiaberto. Em junho do mesmo ano, contudo, não suportou ver rivais vendendo drogas em um bar na cidade de Prado e resolveu atacar.

Jalperaz eliminou traficantes rivais e testemunhas dos crimes (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Junto com um comparsa, Edmílson Santana Ramos, o traficante montou na garupa de uma moto e foi até o local onde estavam Elias de Assis, 43, Luzivaldo Silva, 38, e Valdinei de Jesus Moreira, 33, mortos com vários tiros dados por Jalperaz. Ao ver que Reginaldo dos Santos, vizinho do bar, tinha testemunhado o crime, resolveu matá-lo também.

Na chacina, outras quatro pessoas ainda ficaram feridas. Ele então fugiu de barco pelo rio Jucuruçu até reencontrar Edmílson, deixar o bote no rio, e seguir de moto. No trevo de acesso a Alcobaça, a dupla foi abordada pela Polícia Militar e houve troca de tiros.

Edmílson morreu após ser atingido por três disparos. Já Jalperaz, apesar de ser atingido na perna, conseguiu fugir por um matagal. Ele acabou preso em abril de 2013, capturado pela polícia do Espírito Santo, nas imediações de Balneário de Guriri, na cidade de São Mateus, e retornou ao Conjunto Penal de Teixeira de Freitas.

Mais uma vez, por bom comportamento, Jalperaz conseguiu a progressão de regime, só que dessa vez no regime aberto, dado na segunda-feira (15) pela juíza Adriana Tavares Lira, que, no entanto, determinou que o traficante não saísse da cidade onde reside sem autorização judicial prévia.

O CORREIO tentou contato com os advogados Valney Ferreira da Silva e Paulo Rogério Teixeira de Andrade, que estavam na defesa de Jalperaz no caso, mas as ligações para o escritório deles não foram atendidas.

Livre do Conjunto Penal às 17h de anteontem, Jalperaz foi morto duas horas depois quando fugia mais uma vez para o Espirito Santo. Quatro homens em um Toyota Corolla  cercaram o Siena vermelho em que Jalperaz estava com familiares e disparou diversas vezes, acertando as vítimas na cabeça e tórax. Todos morreram na hora.

Fonte: Correio 24h

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